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Split payment ainda não é uma obrigação operacional para as empresas em 2026, mas já deixou de ser apenas um conceito da Reforma Tributária. A infraestrutura técnica necessária para conectar documentos fiscais, pagamentos e recolhimento de IBS e CBS começou a ganhar forma e isso coloca o tema definitivamente no radar das áreas Fiscal, Financeira, Tesouraria e Tecnologia.
A mudança é estrutural. Hoje, uma empresa vende, emite seu documento fiscal, recebe o pagamento e posteriormente realiza a apuração e o recolhimento dos tributos. Com o split payment, a legislação prevê que, nas transações abrangidas pelo mecanismo, os valores correspondentes a IBS e CBS sejam segregados no momento da liquidação financeira e direcionados aos respectivos entes arrecadadores.
Isso aproxima dois mundos que historicamente nem sempre operam de forma totalmente integrada nas empresas: o fato fiscal e o fato financeiro.
Para organizações que utilizam ERP TOTVS, portanto, preparar-se não significa simplesmente aguardar uma nova funcionalidade. Significa revisar desde agora a qualidade dos dados, as integrações, a emissão de DF-e, os processos financeiros, a conciliação e os cenários de homologação que sustentarão o novo modelo.
Split payment: por que o tema é relevante agora?
A Lei Complementar nº 214/2025 regulamentou o recolhimento na liquidação financeira e determinou que prestadores de serviços de pagamento e instituições operadoras de sistemas de pagamento deverão segregar os valores de IBS e CBS no momento da liquidação da transação, conforme a implementação regulamentar do mecanismo.
Mas isso não significa que as empresas já devam operar obrigatoriamente com split payment.
As Notas Técnicas 2026.001 criaram estruturas de vinculação entre determinados Documentos Fiscais Eletrônicos e as transações financeiras. Segundo a TOTVS, os campos e eventos relacionados ao split payment são facultativos em produção durante 2026 e têm justamente caráter preparatório, permitindo desenvolvimento e testes prévios. A infraestrutura dessas NTs entrou em homologação em abril e em produção em maio de 2026.
A evolução continuou ao longo do ano.
Em junho, Receita Federal e Comitê Gestor do IBS autorizaram a publicação do Manual de Integração e da documentação técnica da Plataforma Pública do Split Payment. Em agosto e setembro foram publicados novos atos técnicos relacionados aos procedimentos e padrões operacionais da plataforma.
Além disso, a documentação da Apuração Assistida da CBS já disponibiliza APIs para consulta de pagamentos e recolhimentos, inclusive registros relacionados ao split payment, com ambientes de produção e produção restrita.
E há um novo marco próximo: a Receita Federal anunciou para 15 de outubro de 2026 o início dos testes de integração entre Prestadores de Serviços de Pagamento PSPs e a Plataforma Pública do Split Payment. A fase será controlada, sem processamento definitivo de operações reais.
Para o gestor empresarial, a mensagem é clara: a obrigatoriedade ainda não chegou, mas a arquitetura que sustentará o processo já está sendo construída e testada.

Split payment: os desafios de integração entre Fiscal e Financeiro
Grande parte das empresas ainda trata emissão fiscal, contas a receber, tesouraria e conciliação como etapas conectadas por processos posteriores.
No split payment, essa separação tende a se tornar muito menos tolerante.
Para que um pagamento possa ser relacionado corretamente à tributação de determinada operação, o ecossistema precisa conseguir identificar de forma consistente o documento fiscal e a transação financeira correspondente.
As próprias Notas Técnicas já preveem informações e eventos para realizar essa vinculação. Entre os elementos estruturados estão identificação da transação, meio de pagamento, recebedor e instituição envolvida.
É nesse ponto que problemas aparentemente simples podem ganhar dimensão operacional.
Um título financeiro pode não guardar a mesma granularidade do documento fiscal. Uma venda pode envolver parcelamento. Um recebimento pode ser renegociado. Cancelamentos, devoluções e ajustes podem alterar a composição original da operação. Empresas podem utilizar diferentes adquirentes, bancos e meios de pagamento ao mesmo tempo.
Nada disso significa que todo cenário será tratado da mesma maneira pelo mecanismo final. Significa que a empresa precisa conhecer como seus próprios sistemas representam cada etapa dessa jornada.
Também existe impacto sobre a conciliação.
Hoje, muitas tesourarias conciliam principalmente o valor bruto vendido, taxas financeiras e o valor efetivamente creditado. Com a evolução do split payment, será necessário incorporar à visão financeira a parcela tributária segregada e sua relação com a operação fiscal.
O resultado é uma mudança importante de gestão: Fiscal, Financeiro e Tesouraria passam a depender ainda mais da mesma base de informações.
Como preparar o ERP TOTVS para o split payment
O ERP está no centro dessa preparação porque concentra as informações que dão origem tanto ao documento fiscal quanto ao título financeiro.
No Protheus, por exemplo, a TOTVS já disponibiliza atualizações e orientações específicas para adaptação à Reforma Tributária, incluindo Configurador de Tributos, XML, IBS, CBS e adequações nos documentos fiscais. A TOTVS também mantém documentação centralizada para acompanhamento das evoluções legais e técnicas relacionadas à reforma.
Mas é importante fazer uma distinção.
Preparar o ERP para a Reforma Tributária não significa que o split payment já esteja implementado definitivamente no sistema.
Em documentação atualizada em 29 de setembro de 2026 para o módulo Financeiro do Protheus, a própria TOTVS informa que split payment e cashback seguem em estudo e desenvolvimento e que, naquele momento, ainda não havia configurações disponíveis no Protheus nem cronograma definitivo de liberação dessas funcionalidades.
Essa transparência é importante porque muda a estratégia correta para 2026.
Em vez de procurar uma parametrização que ainda não existe, a empresa deve garantir que a fundação do ambiente esteja preparada: versões atualizadas, documentação fiscal aderente, IBS e CBS corretamente configurados, cadastros saneados, integrações conhecidas e processos mapeados.
Nas empresas que utilizam RM, a própria TOTVS recomenda atualização do TSS, revisão de produtos e serviços e validação dos parâmetros relacionados à Reforma Tributária como parte do roteiro de adequação.
Camadas complementares também podem ganhar relevância.
O TOTVS Fluig pode apoiar workflows para tratamento de divergências, aprovações e exceções entre Fiscal, Financeiro, Tesouraria e TI, enquanto arquiteturas de integração podem conectar o ERP aos demais sistemas envolvidos no processo. A plataforma Fluig possui recursos de automação de processos e integração com ERPs e sistemas externos.
O objetivo não é antecipar uma solução definitiva antes da regulamentação técnica completa. É reduzir a distância entre o ambiente atual e aquilo que será necessário implementar quando as definições forem consolidadas.

Impactos do split payment no fluxo de caixa, tesouraria e conciliação
O split payment também exige atenção estratégica porque modifica a dinâmica financeira da operação.
No modelo tradicional, o valor tributário normalmente transita pelo caixa da empresa antes do recolhimento posterior. No mecanismo previsto pela Reforma Tributária, parte do pagamento poderá ser segregada na liquidação financeira e destinada diretamente ao recolhimento do IBS e da CBS.
Isso significa que receita faturada, pagamento do cliente e disponibilidade financeira não poderão ser analisados isoladamente.
A tesouraria precisará entender quanto efetivamente entra no caixa, quanto foi destinado aos tributos e como essa movimentação será refletida na conciliação financeira e contábil.
Para empresas com alto volume transacional, a diferença é relevante.
Uma falha de integração replicada milhares de vezes pode gerar divergências entre ERP, documentos fiscais, instituições financeiras e apuração tributária.
Por isso, os benefícios de começar a preparação antecipadamente não estão em “usar o split antes da hora”, mas em criar condições para:
- reduzir divergências entre Fiscal e Financeiro;
- melhorar a rastreabilidade entre DF-e, títulos e pagamentos;
- identificar antecipadamente gaps de integração;
- testar cenários sem a pressão de uma obrigação imediata;
- preparar a tesouraria para novas leituras de fluxo de caixa;
- reduzir dependência de conciliações manuais quando o modelo estiver operacional.
É uma preparação de arquitetura e processo, não apenas de compliance.
Cenário prático: quando o documento fiscal e o pagamento não conversam
Imagine uma indústria que utiliza ERP TOTVS para faturamento e gestão financeira.
Uma venda gera o documento fiscal e posteriormente três parcelas no Contas a Receber. O cliente paga uma parcela via Pix, outra por boleto e renegocia a última.
Hoje, o financeiro consegue acompanhar esse processo pelo título. O Fiscal acompanha o documento e seus tributos. A contabilidade consolida os registros posteriormente.
Agora adicione uma exigência: cada evento financeiro precisa estar corretamente relacionado à operação fiscal para que o mecanismo de arrecadação consiga interpretar o pagamento.
Se documento, título e transação não possuírem rastreabilidade suficiente, surge uma cadeia de exceções.
Outro cenário é uma empresa com várias filiais, diferentes bancos, múltiplos adquirentes e sistemas auxiliares conectados ao ERP.
Nesse caso, a questão não é apenas calcular IBS e CBS corretamente. É garantir que todas essas fontes consigam compartilhar identificadores, eventos e informações confiáveis.
A preparação pode começar com um diagnóstico do ambiente TOTVS: mapear geração do DF-e, criação dos títulos, formas de pagamento, integrações bancárias, conciliação, cancelamentos e exceções.
A partir desse desenho, a TNU pode estruturar um roteiro de homologação, identificando quais cenários precisam ser reproduzidos e validados à medida que a TOTVS e os órgãos oficiais liberarem as próximas etapas técnicas.

Checklist: como preparar sua empresa para o split payment
Antes de pensar na implantação definitiva do split payment, algumas perguntas já deveriam estar respondidas:
- ERP e componentes fiscais estão atualizados? Verifique versões, TSS, patches e pacotes relacionados à Reforma Tributária.
- IBS e CBS estão corretamente parametrizados? A estrutura tributária é uma das bases para as etapas seguintes.
- Existe rastreabilidade entre DF-e e título financeiro? Mapeie como cada operação nasce e chega ao Contas a Receber ou Contas a Pagar.
- Os meios de pagamento estão corretamente identificados? Entenda bancos, Pix, boletos, cartões, adquirentes e demais integrações utilizadas.
- A conciliação financeira depende de planilhas ou intervenção manual? Esse é um sinal importante de risco para uma arquitetura mais integrada.
- Cancelamentos, devoluções e renegociações estão documentados? Os cenários de exceção devem entrar nos futuros roteiros de homologação.
- Fiscal, Financeiro, Tesouraria e TI possuem um responsável comum pelo projeto? O split payment não deve ser tratado como iniciativa isolada do departamento fiscal.
O diagnóstico realizado agora pode economizar tempo justamente quando as regras definitivas exigirem implementação.
Conclusão
O split payment não deve ser tratado como uma obrigação de 2026 porque ainda não é.
Mas também não deveria ser tratado como assunto distante.
A criação dos campos de vinculação entre documentos fiscais e pagamentos, a publicação da documentação técnica da Plataforma Pública, as APIs da Apuração Assistida e o início dos testes oficiais mostram que a infraestrutura necessária para o novo modelo está avançando.
Para empresas, a oportunidade está justamente no intervalo entre preparação técnica e obrigatoriedade.
É o momento para revisar integrações, eliminar controles frágeis, melhorar a comunicação entre Fiscal e Financeiro, atualizar o ERP e construir uma metodologia de testes.
Quando o split payment avançar para sua fase operacional, a diferença não estará apenas em possuir um software atualizado. Estará em ter processos, dados e integrações preparados para operar juntos.
Com experiência nas linhas TOTVS e visão consultiva sobre processos empresariais, a TNU Sistemas pode conduzir essa preparação antes que uma mudança regulatória se transforme em urgência operacional.

Como a TNU Sistemas pode apoiar
O momento atual pede menos improvisação e mais preparação estruturada.
A TNU Sistemas atua com consultoria especializada nos ERPs TOTVS Protheus, RM e Datasul, apoiando empresas na avaliação de processos, atualização de ambientes, melhorias e integrações.
No contexto do split payment, essa atuação pode contribuir para identificar pontos de atenção nos processos fiscais e financeiros, revisar integrações e preparar o ambiente tecnológico para acompanhar as próximas definições regulatórias e atualizações disponibilizadas pela TOTVS.
Solicite um diagnóstico com a TNU Sistemas e identifique como preparar seu ERP TOTVS, processos fiscais e financeiros e integrações para as próximas etapas do split payment.
Perguntas Frequentes — FAQ
O que é split payment?
É o mecanismo previsto pela Reforma Tributária no qual os valores correspondentes ao IBS e à CBS podem ser segregados no momento da liquidação financeira e direcionados aos entes responsáveis pela arrecadação.
O split payment já é obrigatório?
Não. Os campos relacionados à vinculação financeira criados pelas Notas Técnicas possuem caráter preparatório e não são obrigatórios em produção durante 2026.
Já existem testes do split payment?
Sim. A Receita Federal anunciou o início dos testes controlados de integração da Plataforma Pública com PSPs para 15 de outubro de 2026. Eles não representam processamento definitivo de operações reais.
O TOTVS Protheus já possui configuração definitiva de split payment?
Segundo documentação da TOTVS atualizada em 29 de setembro de 2026, o tema ainda está em estudo e desenvolvimento e não havia, naquela data, configuração específica disponível ou cronograma definitivo de liberação no Protheus.
O que uma empresa pode fazer agora?
Atualizar o ambiente da Reforma Tributária, revisar IBS e CBS, sanear cadastros, mapear a relação entre DF-e e títulos financeiros, documentar integrações e preparar cenários de homologação para futuras liberações.
Referências
- Receita Federal — Início da etapa de testes da Plataforma Pública do Split Payment
- Receita Federal — Documentação da Apuração Assistida da CBS
- Receita Federal — Recolhimentos de CBS
- Receita Federal — Atos Técnicos Conjuntos RFB/CGIBS
- Planalto — Lei Complementar nº 214/2025
- TOTVS — Split Payment não será exigido em 2026
- TOTVS — Vinculação entre DF-e e transações financeiras
- TOTVS — Protheus Financeiro: Split Payment
- TOTVS — Adequação do Protheus à Reforma Tributária
